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    Talento tech fora do eixo: onde o emprego de TI mais cresce no Brasil

    Os dados da Brasscom mostram que o Norte e o Nordeste crescem mais rápido que o Sudeste, e isso muda a forma de montar times.

    Vitor Bruno Dalmaz

    Vitor Bruno Dalmaz

    Fundador & CEO

    21 de set. de 20266 min de leitura
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    Capa do artigo "Talento tech fora do eixo: onde o emprego de TI mais cresce no Brasil": Um desenvolvedor trabalhando em um coworking claro e arejado com vegetação tropical visível pela janela ao entardecer, em tons de azul-marinho e ciano da VONBZ.

    Quem abre uma vaga de tecnologia em São Paulo e restringe a busca à região metropolitana entra na disputa mais cara e concorrida do país. Os números mais recentes da Brasscom mostram que o mercado de TI brasileiro continua concentrado no Sudeste, mas que o crescimento está acontecendo em outro lugar. Para o CTO ou Head de Engenharia, essa diferença entre onde está o estoque de talentos e onde ele mais cresce é uma oportunidade concreta de reduzir prazo e custo de contratação.

    O que dizem os números da Brasscom

    Em agosto de 2026, a Brasscom divulgou o Relatório de Regionalização dos Empregos CLT de TIC, com base em dados da RAIS e do Caged. O retrato de dezembro de 2025 é este:

    • O Brasil tinha 942.879 vínculos CLT em ocupações típicas de tecnologia da informação e comunicação.
    • O Sudeste concentrava 588.943 desses vínculos, ou 62,5% do total.
    • São Paulo, sozinho, respondia por 420.996 vínculos, 44,7% do país.
    • Os seis maiores estados (SP, MG, RJ, RS, SC e PR) somavam 78,6% dos empregos.

    Até aqui, nenhuma surpresa. A novidade está no ritmo. Entre 2023 e 2025, os empregos CLT de TIC cresceram:

    RegiãoCrescimento 2023-2025Participação em dez/2025Salário médio
    Norte5,4%3,8%R$ 2.715
    Nordeste3,8%9,5%R$ 3.950
    Centro-Oeste3,2%6,7%R$ 4.855
    Sul3,1%17,5%R$ 4.972
    Sudeste2,0%62,5%R$ 6.802

    A própria Brasscom lê o movimento como uma "expansão territorial gradual" e fala em um mercado "mais dinâmico, resiliente e distribuído", nas palavras de Roberta Piozzi, diretora de Parcerias e Projetos em Educação da entidade.

    📊 Leia com atenção: o relatório considera apenas vínculos CLT em ocupações de TIC classificadas pela CBO. Profissionais PJ, MEIs e outras modalidades ficam de fora. Ou seja, o mercado real de tecnologia é maior do que esses números mostram.

    Por que isso importa para quem contrata

    Os números de estoque e de crescimento contam histórias diferentes, e as duas interessam ao gestor de tecnologia.

    1. A concentração encarece a disputa

    Com quase metade dos vínculos e o maior salário médio do país (R$ 7.321 em São Paulo, contra média nacional de R$ 5.888), o mercado paulista é onde as empresas mais competem pelos mesmos profissionais. Uma vaga aberta só para a capital paulista concorre com bancos, big techs e scale-ups pelo mesmo grupo de candidatos. O resultado costuma ser processo mais longo, contraproposta no fim e salário pressionado para cima.

    2. O crescimento indica onde o talento está se formando

    Quando uma região cresce mais rápido em vínculos de tecnologia, isso sinaliza demanda local, formação de profissionais e polos se consolidando. Para quem contrata remotamente, são mercados com menos competição por pessoa e com profissionais que, muitas vezes, ainda não foram abordados por dez recrutadores na mesma semana.

    3. A diferença salarial precisa ser lida com cuidado

    É tentador ver a tabela e concluir que "no Norte é mais barato". Cuidado. O salário médio regional mistura ocupações muito diferentes, de helpdesk a analista de desenvolvimento, e a composição muda de região para região. Um engenheiro sênior com experiência em produção tem valor de mercado nacional, independentemente de onde more. O ganho real de abrir o raio da busca está mais em prazo e aderência do que em pagar menos pela mesma senioridade.

    O perfil das vagas que dominam o mercado

    O relatório também mostra quais ocupações concentram os empregos CLT de TIC. Analista de desenvolvimento de sistemas lidera com 252.903 vínculos (26,8%) e salário médio de R$ 8.337, seguido por analista de suporte computacional (12,2%) e programador de sistemas de informação (10,8%). Em outras palavras, o grosso do mercado é gente que constrói e sustenta software, exatamente o perfil que mais costuma faltar nos times de produto.

    Se você já leu nosso artigo sobre por que o Brasil é o novo hub global de talentos tech, a lógica é a mesma, só que aplicada dentro do país: o talento está distribuído, e quem consegue trabalhar de forma distribuída acessa um mercado muito maior.

    O que fazer na segunda-feira

    Abrir o raio de busca não é só mudar o filtro de localização na vaga. Exige preparo do time e do processo. Um roteiro prático:

    1. Revise as vagas abertas há mais de 30 dias. Quantas exigem presença física sem que isso seja realmente necessário para o trabalho? Cada exigência de CEP reduz o funil antes da primeira entrevista.
    2. Defina o que é inegociável. Fuso horário, sobreposição mínima de horas, idioma e regime de contratação. Esses critérios importam mais do que a cidade.
    3. Prepare o onboarding remoto. Acessos, documentação, um padrinho técnico e rituais de acompanhamento nas primeiras semanas. Sem isso, o profissional remoto demora mais para produzir, e a culpa recai injustamente sobre a distância.
    4. Ajuste a faixa salarial pela senioridade, não pelo endereço. Isso reduz o risco de perder o profissional para a próxima oferta e evita um time com duas tabelas para o mesmo papel.
    5. Meça o resultado. Compare tempo de fechamento, taxa de aceite de proposta e retenção entre vagas com busca local e vagas com busca nacional.
    ⚠️ Atenção ao modelo híbrido "de fachada": anunciar uma vaga como remota e depois exigir viagens frequentes ou presença em dias fixos frustra o candidato e queima a reputação da empresa como empregadora. Se há exigência presencial, deixe isso claro desde o anúncio.

    Distribuído não significa desorganizado

    A objeção mais comum a times distribuídos é a perda de controle. Na prática, o que dá controle é processo: metas claras por sprint, rituais curtos e consistentes, revisão de código e métricas de entrega. Esses elementos funcionam igualmente bem com um time no mesmo andar ou espalhado por cinco estados. O que muda é que, sem eles, a distância expõe a desorganização mais rápido.

    Para a maioria das empresas de tecnologia, o caminho mais curto até o profissional certo passa por buscar aderência técnica no país inteiro, e não só no entorno do escritório.

    🚀 Sua vaga está aberta há tempo demais? A VONBZ tem uma base de mais de 3.000 profissionais pré-cadastrados e validados, distribuídos pelo Brasil, e faz a alocação em 5 a 10 dias úteis. O critério é aderência técnica, não endereço. Fale com o nosso time comercial e reveja o raio da sua busca.

    Fontes e Referências

    • Empregos de tecnologia crescem mais no Norte e Nordeste, aponta Brasscom, TELETIME News, agosto/2026. teletime.com.br

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    Vitor Bruno Dalmaz
    Vitor Bruno Dalmaz

    Fundador & CEO

    Engenheiro de software e empreendedor com mais de 15 anos de experiência em arquitetura de sistemas distribuídos, cloud (AWS) e liderança técnica. CoFundador do Juca e Fundador da VONBZ consultoria de tecnologia que conecta empresas a profissionais de alta performance via hunting, squads dedicados e outsourcing especializado. Tenho a visão de quem constrói sistemas críticos no dia a dia com a de quem lidera operações tech em escala, sempre com foco em eficiência, automação e adoção responsável de IA.

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