IA explicável: por que 71,5% das decisões ainda não usam IA
A IA já paga o investimento, mas sem explicabilidade e sem gente preparada ela não chega à decisão que afeta o cliente.

Vitor Bruno Dalmaz
Fundador & CEO

A inteligência artificial já está pagando a conta em boa parte das empresas. Segundo o estudo State of Responsible AI 2026, da FICO, divulgado em outubro de 2026, 85,1% dos entrevistados dizem que a IA atingiu ou superou as expectativas de retorno. Mesmo assim, 71,5% das ações com impacto direto no cliente continuam sendo tomadas sem IA. E apenas 5,2% se dizem muito confiantes para explicar como uma decisão de IA foi tomada. Esse paradoxo resume o momento: o gargalo da IA em produção não é o modelo, é a explicabilidade e a falta de gente preparada para operá-la.
O paradoxo em números
Os principais dados do estudo, conforme a cobertura da TI Inside:
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| IA atingiu ou superou o ROI esperado | 85,1% |
| Ações com impacto direto no cliente tomadas sem IA | 71,5% |
| Muito confiantes para explicar uma decisão de IA | 5,2% |
| Defasagem de habilidades do time como principal risco em 5 anos | 63,2% |
| Perda de controle sobre sistemas de IA como risco relevante | 10,4% |
| Acreditam que mais colaboração entre IA e liderança de tecnologia geraria retorno adicional | 96,4% |
E como essas decisões estão sendo tomadas hoje? Segundo o estudo, por julgamento humano (33,3%), sistemas baseados em regras (21,4%) e ferramentas de análise tradicional (16,8%).
"A maioria das organizações consegue dizer onde e o que a IA decidiu. Muito poucas conseguem explicar o porquê."
Scott Zoldi, Chief Analytics Officer da FICO
Por que explicabilidade é o gargalo
Usar IA em tarefas internas, como resumir documentos ou apoiar o time de engenharia, tem risco baixo. Colocar um modelo para decidir algo que afeta o cliente é diferente. Pense em aprovar crédito, definir limite, priorizar um atendimento, recusar uma transação ou ajustar um preço. Nesses casos, alguém precisa responder a perguntas como:
- Por que este cliente recebeu esta decisão e aquele outro não?
- O modelo está usando alguma variável que não deveria?
- Se o comportamento mudar, quem percebe e em quanto tempo?
- Como mostrar para o auditor, o jurídico ou o regulador o que aconteceu?
Se ninguém consegue responder, a decisão volta para a regra fixa ou para a pessoa. É exatamente o que os 71,5% mostram: a tecnologia existe, mas a confiança para colocá-la na frente do cliente não.
O risco número 1 não é a máquina, é a defasagem do time
Talvez o dado mais interessante do estudo seja a percepção de risco. Apenas 10,4% apontam a perda de controle sobre sistemas de IA como risco relevante, o último da lista. Já 63,2% colocam em primeiro lugar a defasagem de habilidades do time em relação à adoção da IA.
Na prática, levar IA para a decisão de negócio exige um conjunto de competências que vai além de treinar um modelo:
- Engenharia de dados para garantir que os dados de entrada sejam confiáveis, rastreáveis e atualizados;
- MLOps para versionar modelos, automatizar deploy e permitir rollback;
- Observabilidade de modelos para monitorar desempenho, desvios de comportamento e mudanças nos dados;
- Capacidade de comunicação para explicar o resultado a quem assina a decisão, em linguagem de negócio.
Essa visão conversa com o que discutimos em Board Meeting Chegando? 3 Camadas de Métricas que Transformam Dados em Decisão: dado só vira decisão quando alguém consegue traduzi-lo para quem decide.
O que o estudo recomenda
A FICO lista um conjunto de recomendações que, na prática, formam um roteiro para quem quer tirar a IA do piloto:
- avaliar o sucesso da IA também por ética, interpretabilidade e baixo impacto negativo, e não só por desempenho;
- não deixar o desempenho imediato atropelar auditoria e conformidade;
- usar técnicas de IA responsável e escolher algoritmos capazes de explicar suas decisões;
- fortalecer a colaboração entre a área de IA e a liderança de tecnologia, sobre uma plataforma compartilhada;
- modernizar a arquitetura de dados para um fluxo de decisão mais transparente e seguro;
- investir em capacitação contínua e desenvolvimento de talentos.
O que fazer na segunda-feira
- Liste as decisões candidatas. Quais decisões com impacto no cliente ainda são feitas por regra fixa ou julgamento manual e poderiam ganhar com IA?
- Escolha uma e teste a explicabilidade. Para um caso concreto, sua equipe consegue dizer por que o modelo decidiu o que decidiu? Se não, esse é o primeiro trabalho.
- Defina o monitoramento antes do deploy: quais métricas indicam que o modelo está se desviando e quem é acionado quando isso acontece.
- Mapeie as lacunas do time em engenharia de dados, MLOps e observabilidade, e decida o que será desenvolvido internamente e o que precisa de reforço externo.
- Aproxime IA e liderança de tecnologia com uma rotina conjunta de revisão de modelos em produção.
Como a VONBZ pode ajudar
Levar IA para a decisão de negócio exige engenheiros de dados e de ML que saibam desenhar o pipeline, monitorar o comportamento e explicar o resultado. A VONBZ aloca esses perfis, já validados tecnicamente, em 5 a 10 dias úteis, com garantia de 30 dias e substituição sem custo, ou monta squads dedicados para projetos completos.
Fontes e Referências
- Decisões operacionais de 71,5% das empresas ainda não utilizam tecnologia de IA (FICO, State of Responsible AI 2026), TI Inside, outubro de 2026. tiinside.com.br
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Fundador & CEO
Engenheiro de software e empreendedor com mais de 15 anos de experiência em arquitetura de sistemas distribuídos, cloud (AWS) e liderança técnica. CoFundador do Juca e Fundador da VONBZ consultoria de tecnologia que conecta empresas a profissionais de alta performance via hunting, squads dedicados e outsourcing especializado. Tenho a visão de quem constrói sistemas críticos no dia a dia com a de quem lidera operações tech em escala, sempre com foco em eficiência, automação e adoção responsável de IA.
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