Hunting

    Guia Salarial 2027: liderar tecnologia ficou até 31% mais caro

    As faixas de gestão em tecnologia subiram até 31% entre 2025 e 2027, e o custo de errar na contratação de liderança subiu junto.

    Vitor Bruno Dalmaz

    Vitor Bruno Dalmaz

    Fundador & CEO

    26 de out. de 20266 min de leitura
    Compartilhar:
    Capa do artigo "Guia Salarial 2027: liderar tecnologia ficou até 31% mais caro": Uma líder de tecnologia de pé em uma sala de reunião envidraçada no alto de um prédio, em tons de azul-marinho e ciano da VONBZ.

    Contratar um gerente de engenharia de software no Brasil ficou cerca de 21% mais caro em dois anos. Um gerente de qualidade de software, 31%. Os números estão no Guia Salarial 2027 da Michael Page, divulgado em 19 de outubro de 2026, e mudam a conta de quem está fechando o planejamento de pessoas para o próximo ano. Mas o dado mais relevante do estudo não é salarial: é o descompasso entre o peso que os profissionais dão à liderança e o peso que as empresas dão a ela na retenção.

    O que o Guia Salarial 2027 mostra

    O levantamento da Michael Page ouviu 1.955 empresas de 15 setores e 5.762 profissionais, cobrindo mais de 400 cargos. Na área de tecnologia, as faixas mensais de gestão evoluíram assim:

    Cargo20252027Variação
    Gerente de qualidade de softwareR$ 20 mil a R$ 25 milR$ 23 mil a R$ 36 mil+31%
    Gerente de engenharia de softwareR$ 24 mil a R$ 30 milR$ 25 mil a R$ 40 mil+21%
    Gerente de infraestruturaR$ 23 mil a R$ 28 milR$ 23 mil a R$ 38 mil+19%
    Gerente de ciência de dadosR$ 27 mil a R$ 38 milR$ 28 mil a R$ 42 mil+8%

    Outras faixas de 2027 ajudam a completar o quadro: gerente de engenharia de dados (R$ 28 mil a R$ 42 mil), gerente de segurança da informação (R$ 28 mil a R$ 40 mil), gerente de IA (R$ 22 mil a R$ 37 mil) e especialista de cloud (R$ 22 mil a R$ 30 mil). Os valores são mensais, sem remuneração variável e benefícios.

    Repare que o salto mais forte está no teto das faixas. O piso pouco se mexeu em vários cargos; o que subiu foi quanto as empresas estão dispostas a pagar pelos melhores perfis. Para quem contrata, isso significa que a disputa por gestores experientes ficou mais cara justamente no segmento em que o erro dói mais.

    O descompasso da liderança

    No mesmo estudo, 63% dos profissionais de tecnologia apontam uma liderança desmotivadora entre os fatores que os levariam a deixar um projeto. Do lado das empresas, apenas 3% citam uma liderança inspiradora como principal estratégia de retenção.

    O cargo mais caro da estrutura é também o que mais influencia a permanência do time abaixo dele.

    Essa diferença tem consequência prática. Quando a contratação de um gestor dá errado, a empresa não perde só o salário pago e o tempo de reposição. Perde o ritmo de entrega durante a transição e, com frequência, desenvolvedores que saem porque a liderança não funcionou. O custo real de errar na contratação de liderança é o custo da pessoa somado ao custo de quem ela afasta.

    💡 Outros dados do guia: 51% das empresas adotam o modelo híbrido, 28% o remoto integral e 17% o presencial. E 36% das empresas de tecnologia dizem que conhecimento em IA será diferencial nas contratações dos próximos 12 meses.

    Por que avaliar liderança técnica exige outro processo

    Muitas empresas usam para gestores o mesmo funil que usam para desenvolvedores: currículo, entrevista técnica, entrevista com o RH, proposta. O problema é que a capacidade de liderar não aparece no currículo nem num teste de código. Um bom processo para cargos de gestão em tecnologia costuma incluir:

    • Avaliação técnica no nível certo: o gestor não precisa ser o melhor programador do time, mas precisa sustentar decisões de arquitetura e revisar trade-offs. System design e discussão de casos reais funcionam melhor que live coding puro.
    • Evidência comportamental estruturada: perguntas no formato de situação, ação e resultado sobre conflitos, feedback difícil, prioridade disputada e um projeto que deu errado.
    • Entrevista gravada e scorecard por competência: permite que mais de uma pessoa avalie a mesma conversa e compare finalistas pelos mesmos critérios.
    • Referências sobre como a pessoa conduz time, não só sobre o que entregou tecnicamente. Ex-liderados dizem muito mais que ex-chefes.

    Como ler esses números no seu contexto

    Faixas salariais de mercado são referência, não regra. Antes de reajustar a tabela inteira, vale cruzar o guia com a realidade da sua empresa:

    • Escopo real do cargo: o próprio levantamento associa a progressão salarial à ampliação do escopo de decisão, da gestão de pessoas e da responsabilidade por resultados. Um "gerente" que lidera três pessoas e um que responde por quarenta não estão na mesma faixa, mesmo com o mesmo título.
    • Modelo de trabalho: com 51% das empresas no híbrido e 28% no remoto integral, a disputa por gestores deixou de ser local. Uma vaga presencial concorre com propostas remotas de outras cidades e, às vezes, de outros países.
    • Remuneração total: os valores do guia não incluem variável e benefícios. Na comparação com uma proposta concorrente, o pacote completo costuma pesar tanto quanto o fixo.

    O ponto central é que o investimento em liderança subiu, e com ele subiu a exigência sobre o processo que escolhe quem ocupa esses cargos.

    O que fazer na segunda-feira

    1. Revise as faixas do planejamento de 2027 para cargos de gestão em tecnologia com base nos números atualizados. Uma faixa defasada faz o processo morrer na proposta.
    2. Calcule o custo de uma contratação errada de liderança: salário durante o período, tempo de reposição, queda de entrega e eventuais saídas do time.
    3. Inclua liderança na estratégia de retenção. Se 63% dos profissionais apontam a liderança como motivo de saída, ela precisa aparecer nas suas métricas, não só nas pesquisas de clima.
    4. Redesenhe o processo seletivo de gestores com avaliação comportamental estruturada e entrevista registrada.
    5. Prepare o caminho de crescimento interno. Desenvolver líderes dentro de casa reduz a dependência do mercado; veja o que diferencia um profissional sênior em O Caminho para Dev Sênior em 2026.
    🎯 Liderança cara pede contratação certa: a VONBZ monta a shortlist de gestores e tech leads com 3 a 5 nomes avaliados, entrevista gravada, scorecard por competência e relatório técnico e comportamental, em 5 a 10 dias úteis, com garantia de substituição sem custo. Agende uma conversa sobre a sua vaga de liderança.

    Fontes e Referências

    • Salários em TI chegam a R$ 42 mil, SINDPD, outubro/2026. sindpd.org.br
    • Guia Salarial 2027: tecnologia pode pagar até R$ 42 mil por mês, Showmetech, outubro/2026. showmetech.com.br

    Precisa escalar seu time tech?

    A VONBZ monta squads dedicados para acelerar sua operação.

    Falar com a VONBZ
    Vitor Bruno Dalmaz
    Vitor Bruno Dalmaz

    Fundador & CEO

    Engenheiro de software e empreendedor com mais de 15 anos de experiência em arquitetura de sistemas distribuídos, cloud (AWS) e liderança técnica. CoFundador do Juca e Fundador da VONBZ consultoria de tecnologia que conecta empresas a profissionais de alta performance via hunting, squads dedicados e outsourcing especializado. Tenho a visão de quem constrói sistemas críticos no dia a dia com a de quem lidera operações tech em escala, sempre com foco em eficiência, automação e adoção responsável de IA.

    Pronto para escalar seu time tech?

    Converse com nossos especialistas e descubra como squads dedicados podem acelerar suas entregas.

    Agendar conversa